sábado, 22 de novembro de 2008

CRÔNICA SOBRE UMA MÃE ADORAVEL – AMÉLIA ROSA FIORAVANTI.



Escrever uma crônica sobre a própria mãe é uma tarefa muito difícil, principalmente para ser objetivo e imparcial.
Minha mãe, AMELIA ROSA FIORAVANTI, era filha de imigrantes italianos, Francesco Rosa e de Adelina Magnani, vindos do norte da Itália (Campitello e Bozzolo, pero de Mantova), no fim do século XIX.
Ela nasceu em Sertãozinho, perto de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo em 15 de janeiro de 1916, mas foi registrada no dia 23 de janeiro, com o nome Amélia Magnani Rosa. Junto a 13 irmãos teve uma infância feliz na fazenda de seus pais, onde, mesmo criança demonstrava ser uma hábil amazona, e cavalgava sem sela. Tinha a pele alva como a neve, seus cabelos infantis eram quase prateados, e seus olhos de um pálido azul celeste.
Papai, que era viajante para uma companhia de produtos farmaceuticos, a conheceu em 1935, quando ela tinha apenas 19 anos, e em seis meses se casaram. Seu nome ficou sendo Amélia Rosa Fioravanti.
Mamãe foi uma bela mulher durante toda sua vida. Tinha 92 anos e 10 meses de vida bem vivida, quando no dia 16 de novembro passado ela nascia de verdade para a eternidade. Tive a honra de estar a seu lado nesse momento - o relógio marcava aproximadamente às 11 horas da manhã, ocasião em que na televisão, que estava sempre ligada à sua frente, transmitia a benção do Santíssimo Sacramento pela TV Canção Nova.
Interpreto esse fato como um sinal celestial consolador. Era o momento do parto definitivo, que com magnífica tranqüilidade ela transpôs para atender ao chamado do Senhor. Estou certo que nessa hora ela foi acompanhada por uma plêiade de anjos e por Maria, a Rainha dos Apóstolos, por quem orávamos diariamente.
A separação dói e a saudade machuca e nunca desaparece, mesmo sabendo que esta no céu, onde um dia nos reencontraremos, pois “Jesus disse então:”Eu é que sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais” (Jo. 11:25-26), palavras nas quais mamãe sempre acreditou.

Querida MÃE, ontem, hoje e sempre eu quero honrá-la como Mãe, companheira, lutadora, DEDICADA PROFESSORA DE PINTURA E PINTORA DE ADMIRAVEL SENSIBILIDADE.
Quando ela tinha uma tela de pintura à sua frente para pintar ou ensinar, ela se transformava e era seu coração quem guiava as suas mãos que agilmente combinavam as cores e davam formas a paisagens, flores ou naturezas-mortas. Hoje seus inúmeros quadros se encontram em muitas residências aqui do Brasil, na Itália, no Chile, na Guatemala, e nos Estados Unidos.
Mamãe amava a natureza, a verdade e a justiça, valores que desde criança me incutiu. Impressionava-me ver que as plantas regadas com suas mãos, germinavam fortes e as flores eram mais bonitas e perfumadas. Eu admirava como ela cuidava bem das flores.

Sem fazer alarde, Mamãe sempre me dizia que o mais importante da vida era ter tempo para cultivar as amizades, e que era como cultivar uma flor. Isso ela fazia a perfeição, com muito carinho. Nunca vi mamãe brigar ou falar mal de alguém. Com a vizinhança ela sempre tratou a todos com atenção e carinho, estando presente nas horas alegres e nas tristes.
Eu me lembro quantas vezes ela era chamada, a altas horas, para ir ver alguem que estava doente. Eu a considero que foi realmente uma boa samaritana. Ela foi uma pessoa criativa e sábia, mesmo nos momentos em que a enfermidade lhe impedia de fazer o que tinha vontade. Católica praticante, não faltava às missas, às quais juntos participamos muitas vezes.
Mamãe foi uma pessoa maravilhosa que só procurava fazer o bem sem olhar a quem, e como filho eu me orgulho muito disso. Nunca deixou de atender a alguém que lhe pedia um prato de comida, mesmo se para isso ela ficasse sem comer. Ela morreu com uma admirável tranqüilidade que ficou expressa em seu rosto - a tranqüilidade dos justos, e dona de um coração de ouro. Muitos são os adjetivos que poderia conferir à Mamãe. Uma antiga canção dizia – “Amélia é que é a Mulher de Verdade”, e era o que Papai sempre cantarolava.
Porém, a palavra que mais reflete sua personalidade e sua passagem entre nós é “AMIGA”, uma carinhosa amiga. MAMÃE você FOI uma pessoa das mais especiais – uma amiga de todos e para todas as horas. Mãe amiga e inseparável, mãe fraterna e exemplar, avó e bisavó carinhosa e sempre presente. Você dedicou seus melhores momentos de sua vida à família, aos amigos e a todos aqueles que batiam à sua porta para solicitar uma ajuda. Era uma verdadeira “boa samaritana”, e me sento orgulhoso pela sua obstinada luta pelo bem de todos. Nunca foi política, mas cumpria o dever cidadão de votar, e mesmo já estando isenta pela idade votava em todas as eleições, só neste ano é que a sua saúde lhe impediu de votar.
MAMÃE, você e papai me deram os melhores exemplos de vida que guiaram meus rumos, e me ensinaram os valores para que eu pudesse chegar a ser quem sou. Valores que eu pude transmitir aos meus filhos e filhas e agora aos meus netos e netas. Sei que hoje você está onde não há espinhos, onde não há dor, mas só há luz, alegria e felicidade, e onde se vê Jesus e Maria e que de lá, com seus lindos olhos azuis que se confundem com o celeste do céu, você esta nos olhando.
Hoje, quando contemplo o brilho de uma estrela ou observo um raio de sol, vejo refletido neles seu meigo olhar, que me ilumina como a luz de um farol, e que me toca o coração. EU TE AMO!